Sessenta dias se foram.
A água já passou por debaixo da ponte.
Agora já dá pra chamar os parças para uma resenha.
Então:

Fala, Sevandija. Bom dia, cara.
Deixa eu te falar uma coisa. Você derrubou meu Cruzeiro, e não estou falando só por mim.
Você fez corpo mole, bateu pênalti pra fora, empatou com o Avaí, perdeu para o CSA.
Tá louco?
Torço. Eu, não.
Eu e mais 9 milhões torcemos muito para que você, que não se importou com nada além do seu bolso e ainda por cima se esforçou para nos derrubar, que se exploda nesse ano esportivo que se inicia.
Neves, Fredes, Davides, Egídios...
que provem por onde forem do próprio veneno que usaram contra a gente em doses alta e sem a menor piedade.
Que comam banco, joguem mal, sejam execrados, achincalhados.

Fala, Mercenário. Boa tarde, cara.
Você não era nada antes do Cruzeiro.
Um mero Zé Ninguém que poderia perambular por esse mundo da bola onde 95% dos seus atuantes Brasil afora recebem salários compatíveis com os demais trabalhadores.
Mas não.
Aqui você foi acolhido, transformado, teve chances. Virou gente.
Aí você estava no bolo que nos fez amargar a pior queda.
Aí você, com menos esforço mas igual ruindade, estava em campo nas piores partidas.
Aí caiu, virou o ano e você, num ato de nenhuma hombridade e caráter opaco, pulou fora do barco; deu as costas a quem lhe fez ser alguém.
Dessa vez não seremos nós; o próprio mundo irá lhe cobrar tamanha poltronaria.
Fabrícios, Edersons e Rafaéis que recebam esse parágrafo.
Que joguem pedra e entreguem a paçoca como aqui fizeram, e que sumam definitivamente do cenário da bola.

Fala, Covarde. Nada de bom, não é?
Você era a projeção do torcedor nas quatro linhas.
Você que saiu daqui uma vez, experimentou o lado amargo do limbo, voltou acolhido e aclamado.
Você que foi um capitão omisso, calado, vendo o barco afundar e fingindo lágrimas.
Que se machucou, se estrumbicou, se esfolou todo e teve, sempre, nosso abraço.
Ficou anos inativo, mas recebendo salário integral e em dia. E agora o que faz?
Vai pra rua dizer que não pode mudar de status. Possivelmente esteja pobre, coitado.
Salário ‘baixo’ por 60 meses, mas os três que ficou sem receber dão margem para apagar toda nossa história.
Pois saibam que ainda serão aclamados como medrosos, fracos, inermes por onde forem atuar.
Sassás, Dedés e Henriques, que sejam assim reconhecidos pelos campos.
Que sigam lentos, dispersos, desinteressados, e levem pressão, tiro, porrada e bomba dos torcedores nas bandeiras que hoje lhes pagam.

Aí me vem, no meio do furacão, um sopro de esperança.
Esperem aí, senhores.
Esse Cruzeiro que caiu segue gigante.
É um raro ponto fora da curva histórica que é nossa vida esportiva.
Então eu volto.
Abro mão de 50 milhões a receber de contrato, uno útil ao agradável, fujo do surto de doença do País em que jogo e regresso para meu lar.
Meu único lar.
Marketeiro sim.
Mas desses que sabe o carinho que o torcedor precisa.
Que sabe massagear o ego ferido por todos esses #@!*% citados e encapuzados e enlaçados acima.
Que se apresenta com o corpo pintado de índio, flecheiro, com a camisa que jamais lhe saiu do peito; sua segunda pele.

Por mais Marcelos Morenos no mundo da bola!
Bem-vindo de volta, Flecheiro!


por Rogério Lúcio
Twitter: @rogeriolucio77


(Foto: Juarez Rodrigues/EM DA Press)


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