Poucas coisas na vida são mais legais do que apelidos. E há uma semana minha expressão facial esboça ao menos um sorriso de canto de boca quando se referem ao Cuca como “o cabelo de boneca”.

Seria apenas mais um xingamento cheio de ódio ao treinador com péssima campanha no campeonato, não fosse pelos fatores mais importantes ao apelidar uma pessoa: o quão trouxa esta alcunha pode ser aliada ao quanto a pessoa se sentirá incomodada – pois se a pessoa não sentir um mínimo desconforto com seu novo nome, fatalmente o apelido não propaga. É preciso ir na ferida, gerar ao menos um “Porra, mas eu não tenho cabelo de boneca, caralho!”.

(Ri novamente ao escrever cabelo de boneca... hahahhahah)

E você tenta encontrar algum motivo para aquilo: “É, o cabelo dele é meio raso, enroladinho, fino... parece um pouco com um cabelo de uma boneca mesmo”. Aí então me vem à mente a imagem das bonecas que me lembro: Barbie, Suzy (e só! Juro que não me recordo de mais nenhuma boneca. Eu sempre preferi a bola. Juro!). E você conclui que o cabelo do Cuca não parece o cabelo de nenhuma delas.

O mesmo acontece com o tal do Antonio Carlos “Cara de Sapato”, do MMA. Ele é meio cabeçudo, admito. Queixo meio pontudo, também. Mas o que a cabeça dele tem a ver com um sapato não me pergunte... 

Um grande amigo é chamado por todos, há anos, de “Negueba”. Aí lhe pergunto: ele parece, de fato, o Negueba? NÃO.
Outro amigo é o “Gordão”. Ele é muito gordo? NÃO.

E qual o problema? Apelido tem que ser exagerado. É preciso colocar uma boa dose de hipérbole para fazer sentido algo sem sentido. 

Na época de escola, um colega de classe possuía um nariz um pouco avantajado. Logo ele se tornou o Sinagoga. Por que? Sei lá... o nariz dele é robusto, encorpado, parece MUITO aquelas igrejas bonitonas.

O mesmo serve para outro amigo, o “Firmino”. O nome dele? Leonardo. Mas... por que Firmino? Não sei. Trouxices de carnaval. Um nome escroto, bem mais legal que Léo. E assim ficou...

É legal demais isso. E não me venha com discurso mimimoralizador sobre bullying. O bullying é necessário, ele cria anticorpos pra vida. Lá fora, na vida real, você vai crescer, vai tomar uns tombos, vai apanhar... e vai precisar seguir. Porque assim que é.

Faz uma semana – e assim acredito que será para sempre e avante – não há como chamar o... como o “Cabelo de Boneca” chama mesmo? (risos)

Tá, tem um caso que o apelido fazia total sentido. Uma época tínhamos dois Brunos no mesmo grupo. Para não confundir, um permaneceu como Bruno. E o outro se tornou o “Bruno Feio” (ele nunca soube).

Nesse caso, era bem autoexplicativo.
Ô Bruno feinho do cacete.
Tomara que ele não leia esse texto...

 

por Cassio Alves


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