Eu quase afoguei sim. Estava no sertão de Pernambuco, pras bandas da Ingazeira, me distraí e quase fui pro brejo. Na verdade, cheguei a ir. Inclusive te vi bem de perto, sabe? Te achei até bem histérica. Bem diferente da última vez que nos vimos, em dezembro passado.

Gostei de ver sua animação e fiquei sabendo que fez desse meu vexame um verdadeiro Carnaval: quatro dias de fanfarra, com purpurina e tudo mais. Me contaram que te viram com um Moreno com corpo pintado e tudo mais.

Pela madrugada, você cantava pra ele ‘Olha a cabeleireira do Zezé...’... a folia é boa, né?

Pena que acaba. Foram dias difíceis, Maria. Cheguei a lembrar do Brasiliense, do Wilstermann, do Raja e até do meu maior rival.

Aquele que chegou a fazer bonito na Série A, hoje frequenta divisões inferiores, mas que certamente, assim como eu, há de se recuperar em breve. Falo do Criciúma. Do Ezequiel, lembra? Ele também sabe que o Dortmund Tupiniquim é maior do que a turma que vive cheia de vaidade.

Mas olha. A festa acabou. Depois da quarta-feira (não é a do Goulart e sim a de cinzas), tem sempre um domingo ao fim da curva. Guarda as figurinhas de zap zap e a histeria no armário, porque depois do susto eu estou achando que vou sair da lama. A água já está quase batendo na cintura, sabe? Mais um pouco e respiro tranquilo.

Do patamar que estou, já olho pra baixo e não te vejo mais. Maria, fala com o Zezé aí e vê se pelo menos vocês conseguem pagar um pouco das dívidas. Pagando 60% está bom. É que está chegando por aqui um argentino que promete mudar o rumo da história.

Então seria bem legal você estar sábado lá no nosso Salão de Festas da Pampulha. Talvez ele não esteja lá, mas te conto detalhes do que vai acontecer de agora em diante.

Pode deixar que levo meus convidados, mas se quiser levar um pouquinho de gente, pode levar também. Receberemos bem, de forma civilizada. Sem quebrar cadeiras, nem nada. Minha gente sabe que o momento não é bom, mas se comporta bem. Ah e lá você vai poder matar a saudade do Dom Diego também!

Tenho certeza que tá tá tá com vontade de revê-lo. Ele também está chegando. É que nós estamos apostando as fichas em uma vida nova, sabe? Descemos alguns degraus também, mas já bastou o susto lá da Ingazeira.

Cometemos Sette pecados capitais, mas conseguimos ganhar fôlego com a chegada do hermano.

Dizem que talvez ele traga o Pratto também. Eu sei que você lembra bem dele. Aí embaixo parece mesmo uma várzea, né? Tinha goleiro de boné, estádio meio no escuro (não era o apagão do turco, mas com pouca luz mesmo) e um técnico todo ‘embromation’, que me lembrou aquele Papai Joel do seu passado.

Vi de perto o que você está passando e sei que não deve estar sendo fácil. Por isso faço questão da sua presença no sábado. É uma motivação a mais pra gente, sabe? Eu nem estou falando por todos não. Acho que o Patric não curte muito a sua turma. Falo por mim mesmo, não falei com mais ninguém. O Luan? Ah não. Ele nós mandamos pro Japão. Está maluquinho lá, mas certamente nos vendo de longe.

Sabe aquele negócio de sair torcedor? Não? Aí é diferente, né? Percebo desde os tempos do Nelinho, do Paulo Roberto, do Belletti. Até mesmo o Thiago, o Henrique, o Egídio e essa turma recente que jurou tanto amor, agora saiu brigada, não é mesmo?

Estranho...o povo sai daqui mais atleticano do que nunca. Cuca certamente está sempre nos acompanhando, com Nossa Senhora na camisa e tudo o mais. Ele e um cara legal que deve estar agora em Curitiba, no Santa Felicidade. Eles passaram por aí também, né? Nem dão notícias? Fica tiste não...

Então, Maria. Sampaoli é o nome do argentino que lhe falei. Está vindo com sangue nos olhos e trazendo uma turma grande lá da Argentina. Esse ano eu sei que está difícil de te apresentar pessoalmente, mas quem sabe ano que vem? Acho difícil você voltar rápido assim, mas faz um esforço aí.

Não precisa nem de premiação... Até porque não é possível que vocês não vão ganhar esse ano do CSA, né? Pelo amor de Deus, é obrigação.

Treme não, Maria. Vim só te dizer que te vi de perto mesmo e que quase afoguei. Foi um filme de terror. Vi Jason, Curê e Mexerica. Mas orei pra São Jorge, Maria. E ele veio me salvar!


*Todos os textos e imagens publicados no blog ReZÉnha refletem única e exclusivamente a opinião dos colaboradores/autores de cada artigo, sem qualquer responsabilidade atribuída à marca Zé Carretilha Ltda.