Amanhã eu vou vestir a minha melhor roupa. A camisa alvinegra, que tantos ventos enfrentou no varal, já está separada para mais uma decisão. Apesar do presidente e sua diretoria omissa e incompetente, apesar do técnico – que teve um bom início de trabalho, mas se acovardou aos poucos, apesar dos jogadores. Essa turma que hoje está no Galo não merece aplauso algum.

Com raras exceções, o elenco chama muito mais a atenção pelo descompromisso e acomodação do que pelo talento. Erro de quem contrata sim. Mas erro de quem não respeita o manto na hora que o veste. Mas amanhã é semifinal de um torneio continental. E por mais que eu tenha pensado seriamente em desistir, não conseguirei.

Quando o Atlético vai a campo, vamos todos juntos. Vestimos nosso uniforme e dividimos cada bola com o adversário. A torcida sim, dá o sangue por esse time. Isso é histórico e não há elenco algum que vá conseguir mudar isso. Quando se fala em Galo, se fala na Massa, que tanto já sofreu. E amanhã, apesar de vocês, lá estaremos nós: prontos para a batalha, que promete ser das mais duras.

Ou será que vocês ainda não perceberam que a minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão? O Galo, apesar de vocês, é parte de nossa vida, é membro de nossa família, é, como diz a música entoada nos estádios, a razão do nosso viver. Apesar de você, Sette Câmara. Por isso, amanhã nós vamos lotar o Mineirão, chamados que fomos pelo Clube Atlético Mineiro. Não por vocês.

O título da Sul-Americana, para nós, é muito importante. É taça continental, dá vaga na Libertadores, nas oitavas da Copa do Brasil. Dá dinheiro. Ou será que o clube não precisa? Por isso, Fábio Santos, apesar dos salários atrasados, jogue bola, doe sangue. Porque, apesar de você, cantaremos do início ao fim. Esse caneco nos dará de volta o orgulho de ser atleticano.

A vocês, ajudará a se esconderem atrás de tantos erros repetidos. Pelo Galo, torceremos até o fim. Aqui é uma vez até morrer. Por vocês, não. Apesar de você, Cazares, ainda teimamos em acreditar nesse título. Você vai pagar, e é dobrado, cada lágrima rolada nesse meu penar.

Apesar de você, Chará, vestir o manto alvinegro é viver as maiores e melhores emoções, é conversar com Deus e desafiar o impossível. Apesar de você, Ricardo Oliveira, o nosso Galo tem história e tradição.

E manda a reza atleticana torcer até contra o vento, se preciso for. Eu pergunto a você, Bolt: onde vai se esconder da enorme euforia? E você, Rodrigo Santana, como vai proibir quando o Galo insistir em cantar?

Amanhã é dia do coração bater no peito feito liquidificador. É dia de empurrar o time rumo ao gol, à vitória, à classificação. É preto no branco, sem firula. É na raça, no grito da Massa, no sangue. Sim, no sangue de Elzo e de Gallo, capitães que ergueram taças deixando o sofrimento em cada suor. Apesar de você, Zé Welison, o Galo vai ser campeão.

Quando chegar o momento, esse meu sofrimento vou cobrar com juros. Juro! E nós vamos comemorar como sempre, animados pela madrinha do samba e de um Galo que um dia nos deu orgulho.

Amanhã, todo esse amor reprimido, esse grito contido será ouvido no nosso salão de festas. Pois ser atleticano é vibrar com alegria nas vitórias. E apesar de vocês, amanhã há de ser um novo dia.

 por Sérgio Monteiro
Twitter @sergiommacedo

Foto – Gabriel Castro


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