Lá se vai quase um mês. Na última vez que me vi assim, enclausurado, recém havia vencido uma árdua corrida contra aqueles que queriam nascer em meu lugar. Foi a primeira vitória da minha vida.

Dizem que o sagitariano é completamente desapegado. Dizem. Eu mesmo não entendo nada de signos. O máximo que cheguei perto disso foi assistindo Cavaleiros do Zodíaco. Não conhece? Desculpe, foi só uma anedotinha fraca mesmo de quem tá ficando tiozão...

Mas de desapego eu entendo. Bastante, acho. De ‘sem coração’ já fui chamado mais de mil vezes. De ‘frio’, ‘moleque’, ‘desencanado’ - e até de ‘egoísta’ - também.

Nunca senti necessidade de performar diferente disso. Está tudo bem. Sempre esteve. 

Já viajei sozinho por cerca de 150 dias. Sozinho, mesmo! E conto as histórias desses como sendo, quiçá, os melhores dias da minha vida. Foi lá em 2013. Bons tempos...

Ficar sozinho, portanto, nunca foi problema. Não que agora também seja. Problemas, amigo, a gente não tem. A gente tem no máximo ondinha pra pular. Talvez você tenha deixado de pular as 7 na última virada e esteja pulando agora, no meio do ano.

Problema mesmo, quem tem, é o cara que tem 7 filhos trancados juntos em casa. Só de imaginar os decibéis dá vontade de pesquisar ‘vasectomia preço’ no Google.

Problema, quem tem, é o Babu, que está trancado com 7 mulheres numa mesma casa. Calmaaaaa, militante... é só uma brincadeira. Eu adoraria estar com 7 aqui também (não aquelas 7, certamente).

Problema, quem tem, é o São Paulo. Que não tem 9 e nem 7. E faz tempo, viu...

São 01:20, já. Fechei o computador faz nem meia hora (juro que não tava no X-vi..., apesar de me parecer uma boa saída para o fim da noite). E hoje eu fiz coisa pra cacete, deveria estar acabado. Mas não. Falta vida compartilhada pra gastar. Pretendo acordar às 9, mas devo acordar às 7 mesmo...

Imagino um botequim agora. Sim, em plena terça-feira. E daí? Mesas na rua, pessoas rindo movidas a mé e azaração. Parece meio vazio. Não o bar, mas a vida assim.

E quem se importa? Fazer coisas vazias também preenchem. Encheram seu copo, esvazie-o. Encheram seu saco, esvazie-o. Um pode te preencher a bexiga. O outro, seu armário com fraldas...

A lição que eu tirei desses 29 dias, até então, é essa: cada um faz o que quiser. Olha eu, escrevendo um texto sem sentido algum. Olha você, então... lendo há 4 minutos esse texto sem muito sentido.

A vida é foda, parceiro. Ninguém entendeu nada. Nem do texto, nem dela. Mas ela é foda - de bom. Esse pedacinho de foda - de ruim – já já termina. Enquanto isso, faça o que quiser. E logo a gente vai poder ir novamente à praia, ao bar, à vida, à foda - a de bom, de preferência...

por Cassio Alves
@cassio.56


*Todos os textos e imagens publicados no blog ReZÉnha refletem única e exclusivamente a opinião dos colaboradores/autores de cada artigo, sem qualquer responsabilidade atribuída à marca Zé Carretilha Ltda.